Projetos recentes

A minha prática artística desenvolveu-se em simultâneo com uma forte dimensão coletiva, organizacional e relacional. Mais do que uma atividade exclusivamente performativa ou composicional, a música tornou-se progressivamente o centro a partir do qual organizei a minha vida profissional, social e humana.
O meu percurso começou pela aprendizagem instrumental e do interesse pela improvisação, mas foi o contacto com processos coletivos de criação que definiu a direção da minha prática. A improvisação revelou-se não apenas uma linguagem musical, mas uma forma de escuta, adaptação e construção de relações humanas. Essa dimensão tornou-se determinante na forma como passei a entender a criação artística: menos como afirmação individual isolada e mais como espaço de negociação, confiança e inteligência coletiva.
A fundação da Porta-Jazz, em 2010, constituiu um momento decisivo neste percurso. O projeto nasceu da necessidade de criar condições de trabalho, circulação e afirmação para uma comunidade de músicos ligados à criação original e à música improvisada no Porto. Ao longo dos últimos anos, o envolvimento profundo na construção e gestão desta estrutura alterou profundamente a minha compreensão do papel do artista na sociedade. Passei a encarar a prática artística não apenas enquanto produção estética, mas também enquanto criação de contexto, mediação, responsabilidade comunitária e construção de ecossistemas culturais sustentáveis.
Esse processo teve igualmente impacto na minha própria identidade artística. O contacto permanente com dezenas de músicos, projetos, linguagens e processos colaborativos transformou a minha relação com autoria, composição e performance. A minha prática tornou-se progressivamente mais aberta à contaminação disciplinar, à colaboração e à criação partilhada. Grande parte dos projetos em que participo desenvolve-se precisamente em territórios híbridos entre composição, improvisação, performance, teatro, dança e mediação artística.
Nos últimos anos, tenho sentido uma necessidade crescente de refletir criticamente sobre os processos de criação coletiva que fui desenvolvendo intuitivamente ao longo do tempo. O projeto Ursa Maior tornou particularmente evidente essa necessidade. Trabalhar com um ensemble de grande dimensão, baseado em improvisação e criação colaborativa, confrontou-me diretamente com questões ligadas à liderança, horizontalidade, mediação artística e organização de comunidades criativas.
Percebi que muitas das ferramentas que fui construindo ao longo dos anos surgiram sobretudo da prática, da tentativa e erro, da observação das dinâmicas humanas e da experiência acumulada enquanto músico, organizador e diretor artístico. Essa consciência despertou em mim a necessidade de sistematizar, aprofundar e contextualizar criticamente esse conhecimento através da investigação artística.
Ao mesmo tempo, a minha prática artística continua profundamente ligada ao desejo de construir experiências coletivas significativas. Interessa-me particularmente a capacidade da música improvisada para criar espaços temporários de escuta, vulnerabilidade, partilha e pertença. Num contexto artístico e social frequentemente marcado pela fragmentação e individualização, vejo a criação coletiva como possibilidade concreta de produção de comunidade.
A prática artística teve assim um papel estruturante no meu percurso pessoal não apenas enquanto atividade profissional, mas enquanto forma de pensamento, relação e intervenção no mundo. A minha prática artística é portanto uma afirmação das minhas convicções cívicas e políticas.

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Ursa Maior

proposta e coordenação: João Pedro Brandão

Ursa Maior reúne uma pequena multidão de cerca de 40 músicos ligados à Porta-Jazz, num ensemble monumental que reflete a ambição, o movimento fervilhante e o espírito de colectivo que são atributo desta comunidade. No texto do programa do festival Porta-Jazz pode ler-se “Entre a exploração controlada, som primordial ou filigranas miríficas, esta super-formação apresenta a música improvisada como um festim exuberante de comunhão e partilha.”
Na sua génese o funcionamento que propus para este grupo teria dois pressupostos essenciais: criação coletiva e conteúdo musical improvisado.
Estes pontos pretendem sobretudo democratizar a contribuição de cada elemento, quer no processo, quer no resultado.

… assistimos a uma obra absolutamente improvável, Ursa Maior (Grande Ursa). Todo o coletivo Porta-Jazz está em palco — em meias —, 34 pessoas em torno de um piano de cauda com o pedal sustentado aberto, cantando em uníssono. Uma única nota faz soar as cordas através do princípio acústico da ressonância. Um terço do ensemble é composto por cantoras.

O conjunto é absolutamente inédito. É preciso ser capaz de o fazer, ter o arrojo e a oportunidade de perguntar: o que poderá acontecer se fizermos ressoar um piano de cauda com as vozes de 34 pessoas em uníssono? Esta experiência criou um momento fora do tempo verdadeiramente incrível.

https://www.citizenjazz.com/Porta-Jazz-un-reseau-a-haute-tension.html

projeto 2026 – “A Terra Vista do Ar”

projeto 2025 – “Contra o Relógio a Favor do Tempo”

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Stones and Seeds
https://joaopedrobrandao.bandcamp.com/album/stones-and-seeds

Almut Kühne – Voice
João Pedro Brandão – Flute, Clarinet, Saxophone, Organ
Marcos Cavaleiro – Percussion

O virtuosismo instável (elogio) de Kühne manifesta-se em Stones and Seeds numa versão muito particular, porque aquilo que o trio investiga em palco (e em disco) é uma proximidade ao silêncio, como se cada um (Brandão na flauta, no clarinete, saxofone e no órgão, Cavaleiro nas percussões) se dedicasse a extrair sons das entranhas da natureza, numa busca por linguagens primordiais. Na versão de concerto […] a música dos três torna-se mais expansiva, mais sujeita a afastar-se, aqui e ali, da placidez, oferecendo-se a crescendos que, após a queda livre, se desfazem e voltam a encostá-los a uma quietude gerida preciosamente com pinças.
Gonçalo Frota em Público.pt

…a forma como o arquiteto [Kengo Kuma] dissolve o edifício no seu contexto e cria soluções anti-monumentais, leves e poéticas é a tradução perfeita para a música deste trio português-alemão. 

Gonçalo Falcão em in Jazz.pt
Poesia sonora em igual medida se na vez fosse um vento a soprar. É um respirar a três, em sibilante medida. Um caminho longo, feito de motivações tímbricas a um ritmo dócil, sem deixar de respirar, continuamente.
Ricardo Vicente Paredes em rimasebatidas.pt

 

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Bode Wilson
https://bodewilson.bandcamp.com/
João Pedro Brandão – Flauta, Saxofones e órgão (pedaleira)
Demian Cabaud – Contrabaixo
Marcos Cavaleiro – Bateria

Este Bode Wilson é hoje uma das mais desafiantes formações nacionais. E “Aether” um disco que a cada audição se deixa descortinar em toda a sua monumentalidade. Soberbo.

https://jazz.pt/criticas/bode-wilson-aether-carimbo-porta-jazz

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CORETO
https://coreto.bandcamp.com/

…uma permanente mutação que, no seu caudal, acrescenta múltiplas referências, umas provindo do espectro de tendências do jazz, outras da música erudita, outras dos experimentalismos de ontem e de hoje. As cascas, os aspectos formais, são retirados para ficarem apenas os materiais, meticulosamente moldados estes para darem corpo a um Som, um Conceito. O que mais nos cativa neste disco é o modo como a própria diferencialidade que lhe serve como matriz sustenta um edifício tão sólido.

https://jazz.pt/criticas/coreto-tribo-carimbo-porta-jazz

João Pedro Brandão – Saxofone alto, flauta, direção artística e composição
José Pedro Coelho – Saxofone tenor
Hugo Ciríaco – Saxofone tenor
Rui Teixeira – Saxofone barítono
Ricardo Formoso – Trompete, Fliscorne
Susana Santos Silva – Trompete
Daniel Dias – Trombone, Voz
Andreia Santos – Trombone
AP – Guitarra
Hugo Raro – Piano
José Carlos Barbosa – Contrabaixo
José Marrucho – Bateria

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Trama no Navio
https://joaopedrobrandao.bandcamp.com/album/trama-no-navio

João Pedro Brandão – Saxofone Alto, Saxofone Soprano, Flauta, Composição
Ricardo Moreira – Piano; Orgão Hammond
Hugo Carvalhais – Contrabaixo
Marcos Cavaleiro – Bateria

Em setembro de 2019, a Orquestra Jazz de Matosinhos, desafiou alguns compositores a escrever música para essa formação com o objectivo de musicar o filme “O Couraçado Poutenkim” de Sergei Eisenstein. A mim calhou-me a Parte 2, “Drama no Navio”.

Foi um projecto desafiante sobretudo pela magnitude do filme e desta parte em particular, que tem uma narrativa densa, intensa, com desfecho tão dramático quanto poético.

Ficou a vontade de estender o desafio para além do filme, o que me levou a querer reinterpretar a música no contexto de uma formação mais pequena, logo mais livre, apropriando-me da sua narrativa.
A escolha dos músicos foi portanto determinante para o caminho que este projecto tomou.

Neste grupo a música original despiu-se de artefactos ficando apenas a sua espinha dorsal, o que fez surgir uma nova Trama resultante das contribuições e interacção destes músicos

Crítica:
https://www.publico.pt/2021/03/17/culturaipsilon/noticia/jazz-revolto-veio-norte-1954496

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Orquestra Jazz de Matosinhos

como Músico / Solista

como Compositor

como Arranjador

como Diretor

https://www.rtp.pt/play/palco/p13354/orquestra-jazz-de-matosinhos-com-bernardo-tinoco